Quem, em determinadas situações, nunca se sentiu fora de si, envolto num terrível sentimento de não pertença? Se frequentarmos com regularidade lugares energeticamente densos como shoppings em hora de ponta, concertos, cinemas, metros ou autocarros repletos de gente, multidões, etc., podemos ficar atipicamente cansados, mentalmente confusos, com incapacidade de lidar com o quotidiano e com falta de motivação, tonturas ou sensação de cabeça vazia, parece que caminhamos uns centímetros acima do chão, corpo pesado, sensação de inchaço abdominal, hipernervosismo sem motivo aparente e mudanças de humor repentinas quando nos cruzamos subitamente com alguém.

Estranhamente, os relógios e equipamentos eletrónicos começam a avariar com facilidade e a conta bancária permanece irritantemente no vermelho. Estes são sinais de profundo desenraizamento. Afinal, somos apenas um espírito livre no interior de uma delicada marioneta orgânica que caminha, manipulado, num mundo dimensional e energeticamente complexo numa “matrix”.

No século passado, a tecnologia decidiu consagrar o freon (um clorofluorcarboneto) como o gás de eleição para o fabrico de frigoríficos e de sprays domésticos, como as lacas, os desodorizantes e os inseticidas. Décadas depois, a ciência responsabilizou o uso desenfreado destes compostos pelo buraco na camada de ozono. Nas décadas de 60 e 70, a maioria dos outdoors das cidades e os anúncios dos jornais e revistas ainda preconizavam o uso do tabaco e o charme associado ao ato de fumar. Agora, são bem conhecidos os malefícios do cigarro na saúde humana. Se recorrermos ao nosso espírito crítico, constatamos que a ciência (e a vontade política), ostensivamente ou não, padece de um atraso crónico que chega a durar décadas. É patognomónico. Não deveriam os cientistas considerar, antes de tudo, os efeitos lesivos a longo prazo? As intenções, a priori, até podem ser legítimas, mas os resultados são, na maioria das vezes, devastadores.

Já ouviu falar da ressonância de Schumann? Otto Schumann foi um cientista que, em 1952, postulou que o planeta, desde o início dos tempos, emite uma reverberação, uma frequência inaudível, como se estivesse a cantar para nós. Essa canção da Terra espalha-se pela crosta terrestre e eleva-se até 100 km de altitude, sensivelmente. Não é difícil perceber que durante os milhares de milhões de anos a vida na Terra — a conjugação de átomos e moléculas e até a própria construção do ADN — medrou ao som desta “música”.

É de tal importância que os nossos astronautas, quando se afastam do planeta, acima dos 100 km, por falta desta vibração ficam física e mentalmente doentes, a sofrer de “demência espacial”. Para colmatar esta ocorrência, desenvolveu-se e implementou-se o simulador de Schumann, que corre imperiosa e impreterivelmente no espaço profundo, no interior das naves e estações espaciais humanas. Todos os seres vivos deste planeta precisam de estar conectados com esta frequência para se manterem física e mentalmente estáveis.

Quem é que já se deu conta de que o tempo agora está a passar mais depressa? O fenómeno, deveras estranho, mas percecionado por muitos, pode estar associado ao aumento da frequência da ressonância de Schumann, que, recentemente (desde 2014), dos tradicionais 7,83 Hz passou a emitir regularmente picos de maior intensidade que chegam a atingir os 90 Hz, subindo a média de valores. É fácil de entender: a perceção do tempo é relativa. O coração da Terra, ao bater mais depressa, transmite-nos a sensação de que vivemos mais rápida e ativamente a nossa vida. O cérebro torna-se mais ativo. Aumentam a ansiedade e a insónia.

Na minha humilde opinião, embora considere que o aumento exponencial de picos na ressonância de Schumann esteja a ocorrer naturalmente para progredirmos para uma consciência mais expandida, creio, contudo, que compete à ciência, nesta era crucial de mudança de paradigma, avaliar escrupulosamente os danos na saúde física e mental (e energética) humana provocados pelo uso exacerbado da tecnologia e das radiações eletromagnéticas (militares e civis).

Será que compensa sentirmo-nos eventualmente mais nervosos e deprimidos só para termos downloads mais rápidos? Será que as várias gerações de informação digital invisível flutuante, que cruzam incessantemente o nosso campo energético, nos impedem de estar sintonizados com a velha (e a nova) ressonância de Schumann? Estaremos a viver, literalmente, um fenómeno de demência espacial sentados no sofá?

Sou um outsider, prefiro ler um bom livro (ou escrevê-lo) contemplando um belo crepúsculo, numa esplanada, na praia. Serei sempre aquele que não está a olhar para o ecrã do telemóvel. Não me julguem, não sou eu o disfuncional… Para todos os que se identificam com os sintomas descritos: considerem meditar várias vezes ao dia ao som de belas melodias, disponíveis nas plataformas de distribuição digital de vídeos, com as frequências de 136, 01 Hz — o OM —, solfeggios, 741 Hz ou até 432 Hz; usem taças tibetanas e instrumentos musicais afinados a 432 Hz; caminhem descalços na Natureza, evitando grandes aglomerações de pessoas; bebam muita água pura. É fundamental sentirmo-nos em equilíbrio e enraizar profundamente nesta transmutação que estamos a experienciar.

Nota adicional: nesta época inusitada de estado de emergência, locais como hospitais, centros de saúde, lares de terceira idade, etc., onde imperam o medo, o desespero, a impotência e o descontrolo são pontos de aglomeração de energia densa. O “vírus” prolifera em ambiente de baixa vibração. Urge, pois, evitar sentimentos negativos a todo o custo, sob pena de baixar a imunidade individual e providenciar, cada vez mais, um terreno propenso à sua disseminação. Nas nossas casas, em isolamento ou quarentena, devemos optar por desligar os routers wifi (pelo menos à noite), ler, fomentar o autoconhecimento, jogar jogos físicos com a família, rir, meditar e usufruir desta maravilhosa dádiva que é o tempo que podemos passar com quem mais amamos. Sejam criteriosos na análise das notícias veiculadas pelos mass media e redes sociais. Nem tudo o que parece, é…

Ricardo Novais

Licenciado em Ciências Farmacêuticas

Naturopata

Autor do livro “Fleur d’Oranger” sob o pseudónimo Rica Sainov

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