Há uns anos a revistaÚnica do Expresso fez capa com John Lennon numa bela foto, não sei se montada, onde o músico aparece com a cara coberta de vários pares de óculos, em cadeia, aludindo (iludindo?) ao tema Imaginar, não fosse Lennon um dos sonhadores mortos ‘mais vivos’ da actualidade, talvez o mais carismático artista que se atreveu a colocar várias das suas lentes para a mesma (dura) realidade. John Lennon fez parte do grupo mais famoso do mundo, os Beatles. Embora Lennon tenha perpetuado célebres frases nas suas extraordinárias músicas, penso que até hoje a grande frase proferida por ele surgiu em 1971, após a separação da banda.

 

John Lennon, magoado com Paul McCartney, lançou a canção How do you sleep?, onde cantava em resposta à música Yesterday (Ontem): The only thing you have done was yesterday (a única coisa que fizeste foi Yesterday – ontem). Nessa canção, John pretendia não apenas dizer que a única coisa que Paul tinha feito era a canção Yesterday, mas eternizar também o ‘enterro’ da sua ex-banda, que em 1971 já fazia parte do passado, isto é do ‘ontem’. Nota: embora a composição seja creditada a Lennon/McCartney, a letra foi composta unicamente por Paul McCartney, segundo ele «após ter tido um sonho». E com sonhos não se brinca, embora para muita gente sonhar seja ainda uma fantasia. Será?

 

Estamos praticamente a começar um novo ano, ancorado a novos projectos, a sonhos há muito desejados. Embora para alguns comece num período diferente do calendário gregoriano (solar), a intenção é praticamente a mesma: toda a Humanidade estar sintonizada pelo mesmo desejo: a realização de muitos sonhos nas mais diversas áreas da vida.Esse período permite-nos também ‘sonhar’ com aquilo que mais queremos ver concretizado na vida. Aprendi a dar exemplos reais daquilo que partilho como ‘teorias’, onde me ‘acusam’ de ‘lírico’, ‘sonhador’, ‘demagogo’ etc., lembro que sonhar é sim uma realidade. Basta seguir em frente (Lettinggo) e entender que o passado é um pretérito, um tempo que se conjuga com outros verbos em diversos tempos e modos, umas vezes no perfeito, outras vezes no imperfeito e outras no mais-que-perfeito, este último, de longe, o mais irónico. Seja lá qual for o ‘modo’ como os conjugamos, todos eles pertencem a uma gaveta chamada ‘arquivo’, ‘baú das relíquias’: vai-se lá de vez em quando, mas sem esquecer que o presente é uma verdade que resulta do passado para termos algum futuro.

Sonhar é pensar grande, de coração aberto e com total confiança na Luz, mesmo que muitas vezes as ‘aparências’ nos levem a desistir de o fazer, mesmo vivendo uma crise mundial com preços tão altos. É possível sair da ilusão, da quimera, do ‘sonho impossível’, porque a vida não passa de um devaneio disfarçado que só é possível ser realizado quando acordamos.

 

O estereótipo do passado rezava o seguinte: «Sonhar e fantasiar é desperdiçar a vida; sê prático, tira a cabeça das nuvens». Acho que está mais do que na hora de rasgar essa folha e criar um novo ‘chavão’. Aqui vai: sonhar e fantasiar é viver a vida, é ser prático; põe a sua cabeça nas nuvens porque é a partir de lá que pode fazer tudo o que criou na sua mente! They may say I’m a dreamer, but I’m not the only one (Podem dizer que sou um sonhador, mas não sou o único).

 

Artigo publicado na Zen Energy Nº72 (edição de Janeiro de 2014)