O que é que realmente importa?

Ao longo da vida vamos tomando decisões. Umas pequenas, fáceis e pouco barulhentas, outras gigantescas, dolorosas, que levantam poeira, abanam estruturas, rasgam janelas em nós, mudam a nossa vida para sempre.

Vamos aprendendo que, às vezes, e bom ficar “sem teto” para ganhar estrelas (e um dia aprendemos a agradecer por isso). Vamos descobrindo que a pergunta certa para (quase) tudo é para quê, e não porquê. Que o conforto de não arriscar dar um passo — à frente, ao lado, ou atrás — é ficar para sempre a meio caminho. E que, quando, dentro do turbilhão dos dias, não conseguimos perceber o que queremos, devemos tentar prestar atenção àquilo que não queremos.

Ao longo da vida, vamos percebendo (e, com tempo e amor, aceitando) que, muitas vezes, só depois do desespero vem a paz. Por isso, quando te perguntares o que de verdade importa no verbo Recomeçar, lembra-te sempre desta lista:

  • Importa que queiras ser o herói da tua própria história.
  • Importa que queiras ser um rebelde pacífico com vontade de mudar o teu próprio mundo.
  • Importa que te saibas amar sem filtros, sem reservas, sem “ses”, sem mas, sem o olhar sempre crítico, sem a capa de Calimero sempre posta nos ombros à espera de eco.
  • Importa que sigas mais o teu coração e menos a opinião dos outros.
  • Importa que vivas mais na sintonia do amor e menos na do medo.
  • Importa que aceites, que te aceites, que não te compares, que dês os teus próprios passos, podem ser passos pequeninos, um passo por dia.
  • Importa que ajas com coragem mesmo que isso dê medo, mesmo que isso implique levantar a voz e falar mais alto e enfrentar coisas difíceis e pessoas difíceis e dar passos atrás e recuar e ter que tomar balanço e respirar fundo e abrir a porta e sair e não ter nada nas mãos e, ainda assim, e sempre assim, preferir ter paz a ter razão.
  • Importa que queiras ver a verdade sobre ti próprio, que queiras ouvir o que vai dentro de ti e que queiras mudar o que não está bem.
  • Importa que fique bem claro dentro de ti que, quando queres que alguma coisa mude, começas tu por mudar a tua perspetiva das coisas. Porque és tu que queres sentir-te bem, és tu que queres sentir-te leve, alegre, sem pensamentos negativos, sem carga negativa. Então, és tu quem tem de mudar, não é o outro.
  • Importa que sejas capaz de confiar. Uma pessoa que confia é uma pessoa em quem os outros também confiam. Sente-se na energia. Se tu confias que podes mudar, mudas. Se tu mudas, tudo à tua volta começa a fluir e a alinhar-se para que a mudança aconteça, mas o primeiro passo é teu.
  • Importa que sejas fiel a ti mesmo. Tens de ser para ti mesmo antes de ser para os outros, e isso é o quê? É permitires-te ser a pessoa que és quando não estás a seguir todas as regras. Quem és tu sem as restrições, as críticas, as histórias e os julgamentos? Essa pessoa és tu quando estás a fazer coisas sem o objetivo de teres a aprovação ou o afeto de alguém.
  • Importa que saibas o que andas “cá” a fazer. Podes fechar a janela e escurecer o teu quarto, mas também a podes abrir e deixar entrar a luz. É tudo uma questão de escolha. Diz em voz alta o que queres, porque o queres e quando o queres. Foca-te nos teus objetivos de vida. Revê as tuas metas, os teus sonhos. São os teus recomeços de todos os dias. Enche-os de vida. Não os deixes passar. Fá-lo por ti.
  • Importa que todos os dias faças duas perguntas a ti mesmo: o que vou fazer hoje para ser um bocadinho mais feliz? O que vou fazer hoje para fazer alguém um bocadinho mais feliz?
  • Importa que saibas agradecer, todos os dias. Pela pessoa que és. Pela pessoa que foste. Pela pessoa que estás a trabalhar para ser. Pelas pessoas que tens na tua vida. Pela sorte. Pela vida. Pela Terra. Pela tua fé. Por tudo aquilo em que acreditas.
  • Importa que quando te sentires muito cansado aprendas a descansar, a respirar fundo, a procurar apoio, ajuda, a olhar para trás, a sentir orgulho no caminho que já fizeste, a recuperar fôlego, a não desistir do que queres muito. Não desistas de ti. A qualquer altura estás a tempo, sempre a tempo de recomeçar.

Sem temer a próxima porta ou janela que se vai abrir, siga de coração esperançoso: que seja bom o que vier.

Fonte: Fernandes, Sofia Castro (2019) Recomeça. Manuscrito