Na sequência do meu último texto, continuarei a falar de sonhos, mas desta vez associados a duas das maiores ‘doenças’ da Humanidade: a procrastinação e o arrependimento.

 

Se queremos tornar um sonho realidade, a primeira etapa é traçar uma meta. Mas, isso ainda é pouco. Ora, traçar metas é muito fácil, difícil é cumpri-las. Até aqui nada de novo. Um dos segredos é ‘aviar’, ou como se diz em inglês to ship. Nada de novo, ainda. Dicas? No mercado, já proliferam inúmeros livros sobre esta temática, porém há um autor americano, Seth Godin, que me chamou a atenção. Godin criou um link muito útil – disponibilizado gratuitamente online – cujo título é Como Se Tornar Indispensável, que eu considero muito adequado a pessoas que, tal como eu, desejam sempre passar das metas (sonhos) à realidade (acção).

Para procrastinação já temos ferramentas. Todavia, quando toca a arrependimento, ‘alto e para o baile’. Aqui, gostaria de dar apenas algumas achegas que me parecem que, esperemos, complementarão este assunto. Quem já fez alguma coisa sabendo que não deveria e depois passou dias a sentir-se completamente incapaz e derrotado por não tê-lo feito? Eu sou um deles. Quando nos arrependemos de alguma coisa que (não) fizemos, é normal – embora saiba mal – começarmos a duvidar de nós mesmos e da nossa capacidade de o fazer de novo. É um fardo que pode permanecer connosco por vários dias, até semanas e até mesmo anos, se o permitirmos.

Voltando ao início da conversa, quando temos sonhos ou projectos com metas traçadas, pelo caminho surgem sempre alguns truques do Oponente (vulgo ego) que consistem simplesmente em não só levarmos uns valentes trambolhões como também manter-nos lá em baixo, sem vontade de nos levantarmos.

É perfeitamente normal durante o processo termos os nossos momentos mais reactivos e de total descrença, até mesmo momentos de extremo egoísmo. Agora, depende de nós – e de mais ninguém – ou permanecermos na negatividade e no autoflagelo ou mudar a agulha e seleccionar a música dos nossos sonhos. Quando algo errado acontece, a mente velozmente apressa-se para nos encher de perguntas do género: «Por que razão aconteceu?» ou «Como é possível tê-lo feito?». Questões sensatas, sim, e muito pertinentes, sim, no momento, mas talvez não sejam ainda a chave para a nossa transformação e realização espiritual. Ao invés, porquê não perguntar: «Quando é que vou começar a trabalhar para melhorar estas coisas?».

A grande resposta é – e deverá ser sempre – «já, imediatamente», independentemente do tamanho do tombo há uns minutos atrás. Sem querer ser radical, pois não é esse o propósito, penso que só assumindo um compromisso de tentar de novo – já não estou sequer a falar em assumir aquele compromisso inicial antes do trambolhão – e voltar a fazer, com mais empenho, até melhor do que antes, é o que nos volta a conectar ao nosso melhor, à nossa Luz interna. E o nosso melhor é o fecho do projecto, é a meta final. O nome para esse movimento – amiúde confundido com teimosia – é perseverança. Com o tempo, e com a prática, vamos aprendendo que o foco não está apenas nos nossos sucessos, mas sim no que fazemos com os nossos fracassos. É isso o que realmente conta na realização de qualquer sonho ou projecto. Ninguém jamais correu uma maratona ou venceu um campeonato mundial sem falhar ou perder alguns jogos. Os grandes sábios lembravam que a hora mais escura é sempre antes do amanhecer. E porque estou a dizer isto? Para que quando estivermos por um fio, com tudo e todos contra nós, enfim quando sentirmos que já não aguentamos nem um minuto a mais, essa é, portanto, a hora de dizer: «Não, não desisto, porque esse é o momento em que a Luz está prestes a ser revelada.»

Artigo publicado na Zen Energy Nº73 (edição de Fevereiro de 2014)