Reflexões em quarentena (texto 12)

Crise. Esta palavra tem sido pronunciada tantas vezes nestes últimos tempos, que já não conseguimos ouvi-la sem que o nosso corpo inteiro se crispe e a nossa mente se revolte. É crise sanitária, dos governos, dos refugiados, do ambiente, na economia mundial, na política, nos lares do mundo inteiro, nos hospitais, nos relacionamentos, no nosso interior. A nossa cabeça está em ebulição. Estamos à mercê da crise a todos os níveis.

Esta pequena palavra tem um poder assustador, avassalador e atribuímos-lhe um significado negativo que pode desconcertar qualquer um, até os mais temerários e confiantes. Porém, todas as crises potenciam a tomada de decisões e todas as decisões em tempos de crise nos levam a ajustar as nossas vidas, para o bem ou para o mal.

Agora não será diferente. Quer queiramos, quer não, a crise veio para ficar, pelo menos até encontrarmos uma vacina. Nos próximos meses – e talvez nos próximos anos – teremos de aprender a conviver com ela até “domar” o vírus, e por fim dominá-lo.

Sabia que, quando escrita em chinês, a palavra crise é composta pelos dois caracteres Wei-Chi, que representam perigo/risco e oportunidade, em simultâneo? Pois é, paradoxalmente, todas as situações de crise possuem também um lado bom. Muitos estão a ficar mal, assustados, desconcertados, e até arruinados no senso próprio e figurativo.

Mas este é o momento dos mais atrevidos e confiantes, dos mais sonhadores e criativos. E também de todos aqueles que têm garra e esperam conquistar uma vida boa, apesar de tudo. É nestas situações que ideias diferentes abrem caminhos e fazem história. E esta ideia pode ser sua.

Fala-se muito do impacto catastrófico desta crise sanitária na economia mundial. Consequentemente, poucos ousam pensar na oportunidade que se possa potenciar agora ao tentar reinventar-se para adotar um comportamento diferente, fazer uma mudança radical na nossa vida que nos seja benéfica, para promover novas atividades, novos empreendimentos mais robustos, mais seguros, mais humanos e solidários.

Não acredito que o crescente desânimo e amargura seja a resposta para a saída desta crise. Para já, temos a possibilidade e até o dever para connosco próprios de refletir e de nos perguntarmos o que podemos aprender com esta situação, que nos possa servir no futuro.

Elisabeth Barnard

Diretora da Zen Energy