Quando me detenho em algumas das notícias da atualidade — que saem enoveladas como as cerejas de um cesto — relatando minudências de uma pandemia que nos afeta a todos sem exceção, assola-me um sentimento paradoxal: desejo, incondicionalmente, saúde para todos os que caminham neste mundo. Porém, alimento a esperança, com igual intensidade, de que aconteça uma mudança de paradigma, um ponto de inflexão.

Se, por um lado, assistimos a um admirável espírito de entreajuda e solidariedade, com toda a sociedade mobilizada em prol de uma quarentena competente e eficaz, mostrando capacidade de adaptação ao isolamento profilático e conseguindo reinventar processos virtuais de trabalho para substituir a presença física; por outro, verificamos o endeusamento de uma assepsia desenfreada, contranatura, pró-química e pró-eletromagnética.

Também a complicação dos estados emocionais associados ao medo, stress e depressão, a exasperação da impotência, raiva e frustração, a espoliação gradual dos direitos fundamentais e o empobrecimento das finanças pessoais e coletivas poderão vir a revelar-se como aspetos menos favoráveis decorrentes deste momento insólito.

Então, se centrarmos a nossa atenção, com espírito crítico, no famigerado coronavírus, podem sobrevir algumas questões pertinentes:

  • Porquê a taxa de letalidade superior nos idosos e/ou nos doentes crónicos? Poderá o comprometimento — natural e/ou iatrogénico — do sistema imunológico aliado a um “entupimento” dos órgãos de excreção (i.e., fígado, rins e pulmões) explicar o fenómeno?
  • Porque é que a taxa de incidência e de letalidade é mais alta no Norte do país e mais baixa no Alentejo? É possível existir uma correlação entre a agressividade do “vírus” e o nível — muito superior nas zonas litorais, altamente industrializadas — de poluição invisível (química e eletromagnética)?
  • Porque é que a doença se manifesta de forma tão exuberante em determinadas pessoas e é praticamente assintomática noutras? Será a competência imunológica variável consoante a idade, a alimentação, os hábitos de exercício físico e de sono, mas, sobretudo, do padrão mental e emocional?
  • Porque é que ligamos a televisão e o computador e assistimos impotentes, voluntariamente, à descarga descomunal de desinformação, despoletando emoções intensas de angústia e preocupação, quando sabemos que os pensamentos negativos (medo, raiva, culpa, por exemplo) desencadeiam uma desregulação imunológica?

Grosso modo, um vírus — per se — não é mortal. É a exacerbação da inflamação, com a libertação de inúmeros mediadores como citoquinas, leucotrienos, TNF, entre outros, pelos mecanismos de defesa do nosso organismo — em reação ao agente infecioso — que provoca a perniciosa falência dos órgãos. Quanto mais desequilibrado é o organismo, maiores são os riscos de complicações.

Interessa, por conseguinte, manter o corpo em equilíbrio bioquímico, o mais desintoxicado e hidratado possível. Devemos alimentar-nos com alimentos frescos, antioxidantes e anti-inflamatórios, evitando os congelados e os processados. Devemos dormir bem e evitar os sentimentos de pânico associados à epidemia. Sugiro ainda a suplementação com vitamina C, vitamina D (colecalciferol), zinco, selénio e magnésio.

Convém relembrar que, ao longo dos tempos, ao tentarmos construir utopicamente uma “máquina da felicidade”, com os pressupostos do “crescimento” tecnológico e económico, da propriedade e da competição, criámos uma sociedade adepta do sintético e artificial, que descurou a sapiência inata da Natureza. Este é o momento de abrirmos os olhos e revertermos finalmente a maneira de interagir connosco e com o mundo.

Sugiro aproveitar esta dádiva do afastamento social para fazer uma profunda introspeção, sem o bulício frenético das buzinadelas, dos metros atafulhados e dos gritos dos nossos chefes, porque, afinal, quando tudo isto tiver acabado seria maravilhoso vivermos num mundo diferente — mais justo, ético e compassivo.

Um mundo melhor.

Ricardo Novais – Licenciado em Ciências Farmacêuticas – Naturopata

Autor do livro Fleur d’Oranger sob o pseudónimo Rica Sainov

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